domingo, 5 de dezembro de 2010

Um Par

Mesmo quando ele consegue o que ele quis,
Quando tem já não quer
Acha alguma coisa nova na TV
O que não pode ter
E deixa de gostar
Larga mão do que ele já tem
Passa então a amar
Tudo aquilo que não ganhou
Dê motivo pra outra vez acreditar
Na cascata da vez
Que você comprou assim zero mais dez
Um presente pra mim
Mas se eu perguntar
De onde veio esse agrado
Você vai gritar
Diz que é homem feito,sei não
Ah faça-me o favor
Diga ao menos o que foi
E se eu faltei em te explicar
Diz que a gente sempre foi
Um par
Sai domingo diz que é o dia de jogar
Mas que jogo eu não sei
Fica até segunda o dia clarear
E troféu não se vê
Entra sem falar
Sai correndo e volta outra vez
Sem cumprimentar
Nem parece aquele
Eu rezo, ai deus do céu
Ou alguém no chão
Diga-me o que foi
Que eu deixei faltar
O que eu não consigo é entenderComo é que um filho meu é tão diferente assim
De mim
Me faz entender.



Rodrigo Amarante

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eita saudade danada

"Saudade é um pouco como fome.
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco:
quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira
 é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

Clarice Lispector

OBS: Especial

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Chover (ou Invocação Para Um Dia Líquido)

"O sabiá no sertão
Quando canta me comove
Passa três meses cantando
E sem cantar passa nove
Porque tem a obrigação
De só cantar quando chove*

Chover chover
Valei-me Ciço o que posso fazer
Chover chover
Um terço pesado pra chuva descer
Chover chover
Até Maria deixou de moer
Chover chover
Banzo Batista, bagaço e banguê

Chover chover
Cego Aderaldo peleja pra ver
Chover chover
Já que meu olho cansou de chover
Chover chover
Até Maria deixou de moer
Chover chover
Banzo Batista, bagaço e banguê

Meu povo não vá simbora
Pela Itapemirim
Pois mesmo perto do fim
Nosso sertão tem melhora
O céu tá calado agora
Mais vai dar cada trovão
De escapulir torrão
De paredão de tapera**

Bombo trovejou a chuva choveu

Choveu choveu
Lula Calixto virando Mateus
Chover chover
O bucho cheio de tudo que deu
Chover chover
suor e canseira depois que comeu
Chover chover
Zabumba zunindo no colo de Deus
Chover chover
Inácio e Romano meu verso e o teu
Chover chover
Água dos olhos que a seca bebeu

Quando chove no sertão
O sol deita e a água rola
O sapo vomita espuma
Onde um boi pisa se atola
E a fartura esconde o saco
Que a fome pedia esmola**

Seu boiadeiro por aqui choveu
Seu boiadeiro por aqui choveu
Choveu que amarrotou
Foi tanta água que meu boi nadou***

*Zé Bernardinho
**João Paraíbano
***Toque pra boiadeiro


Lirinha e Cleyton Barros 

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Conversa de botas batidas

- Veja você onde é que o barco foi desaguar
- A gente só queria um amor
- Deus parece as vezes se esquecer
- Ai, não fala isso por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho
Prepara uma avenida
Que a gente vai passar

- Veja você quando é que tudo foi desabar
- A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já chegar

Deixa o moço bater
Que eu cansei da fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não te esconde de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem

Diz quem é maior
Que o amor
Me abraça forte agora
Que é chegada nossa hora
Vem vamos além
Vão dizer
Que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela
Vai cair

Marcelo Camelo

Na espera do show tão esperado.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Brilha onde estiver.
Faz da lágrima o sangue
que nos deixa de pé!

Onde quer que esteja, eu sei que estais bem. 
Te darei orgulho. Prometo.

Eternas Saudades de quem me ensinou e me ajudou a ser quem sou!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O pouco que sobrou

Eu cansei de ser assim
Não posso mais errar
Se tudo é tão ruim por onde eu devo ir?
A vida vai seguir
Ninguém vai reparar
Aqui nesse lugar eu acho que acabou,
Mas vou cantar
Pra não cair fingindo ser
Alguém que vive assim
De bem
Não sei por onde fui
Só resta eu me entregar
Cansei de procurar o pouco que sobrou
Eu tinha algum amor
Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
E a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
Manda essa cavalaria que hoje a fé me abandonou.

(Marcelo Camelo)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lugar ao sol

Que bom viver, como é bom sonhar
O que ficou pra trás passei e eu não me importei
Foi até melhor, tive que pensar em algo novo que fizesse sentido
Ainda vejo o mundo com os olhos de criança
Que só quer brincar e não tanta "responsa"
Mas a vida cobra sério e realmente não dá pra fugir

Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol

Um dia espero te reencontrar numa bem melhor
Cada um tem seu caminho, eu sei foi até melhor
Irmãos do mesmo Cristo, eu quero e não desisto
Caro pai como é bom ter o porque se orgulhar
A vida pode passar, não estou sozinho
Eu sei se eu tiver Fé eu volto até a sonhar

Livre pra poder sorrir, sim
Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol

O amor é assim, é a paz de Deus em sua casa
O amor é assim, é a paz de Deus... que nunca acaba

Nossas vidas, nossos sonhos tem o mesmo valor
Nossas vidas, nossoa sonhos tem o mesmo valor
Eu vou com você pra onde você for
Eu descobri que azul é a cor da parede da casa de Deus
E não há mais ninguém como você e eu

(Chorão)


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Relampiano

Tá relampiano, cadê Neném?
Tá vendendo drops no sinal pra alguém
Tá relampiano, cadê Neném?
Tá vendendo drops no sinal pra alguém

Todo dia é dia, toda hora é hora
Neném não demora pra se levantar
Mãe lavando roupa, pai já foi embora
E o caçula chora pra se acostumar
Com a vida lá de fora do barraco
Hai que endurecer um coração tão fraco
Para vencer o medo do trovão
Sua vida a ponta a contramão

Tá relampiano, cadê Neném?
Tá vendendo drops no sinal pra alguém
Tá relampiano, cadê Neném?
Tá vendendo drops no sinal pra alguém
Tá vendendo drops no sinal...

Tudo é tão normal, todo tal e qual
Neném não tem hora pra ir se deitar
Mãe passando roupa do pai de agora
De um outro caçula que ainda vai chegar
É mais uma boca dentro do barraco
Mais um quilo de farinha do mesmo saco
Para alimentar um novo João ninguém
E a cidade cresce junto com Neném.

(Lenine/ Paulinho Moska)                

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Outras Frequências

Seria mais fácil fazer como todo mundo faz
O caminho mais curto, produto que rende mais
Seria mais fácil fazer como todo mundo faz
Um tiro certeiro, modelo que vende mais

Mas nós dançamos no sinlêncio
Choramos no carnaval
Não vemos graça nas gracinhas da TV
Morremos de rir no horário eleitoral

Seria mais fácil fazer como todo mundo faz
Sem sair do sofá, deixar a Ferrari pra trás
Seria mais fácil fazer como todo mundo faz
O milésimo gol sentado na mesa de um bar

Mas nós vibramos em outra frequência
Sabemos que não é bem assim
Se fosse fácil achar o caminho das pedras
Tantas pedras no caminho não seria ruim

Seria mais fácil fazer como todo mundo faz...

(Humberto Gessinger)


terça-feira, 13 de abril de 2010

A medida da paixão

É como se a gente não soubesse
De que lado foi a vida
Por que tanta solidão
E não é a dor que me entristece
É não ter uma saída
Nem medida na paixão


Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraído
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me machucou


É como se a gente pressentisse
Tudo que o amor não disse
Diz agora essa aflição
E ficou o cheiro pelo ar
Ficou o medo de ficar
Vazio demais meu coração


Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distaído
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me maltratou


(Lenine/Dudu Falcão)

sábado, 10 de abril de 2010

Nós

Eu... sei que me disseram por ai
E foi pessoa séria quem falou
Você tava mais querendo era me passar por aí

Eu... sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu novo amor
Você mais querendo era me ver passar por aí

Pois é, esse samba é pra você, ó, meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar

Eu... sei que me disseram por aí
E foi pessoa séria quem falou
você tava mais querendo era me ouvir cantar por aí

Eu... sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu amor
Você tava mais querendo era me passar por aí

Pois é, esse samba é pra você, ó , meu amor
Esse samba é pra você
Que fez sorrir, que fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar

Pois é, eese samba é pra você, ó, meu amor
Esse samba é pra você
Pra você sorrir
Pra você chorar
Pra você sonhar
Pra você feliz
Pra você amar

(Tião Carvalho)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Colocando sal nas feridas!

Já consigo enxergar as cores novamente
Agora tudo é mais claro pra mim
Os carros, as flores
A partir desse momento eu volto a respirar
Quem me conhece sabe que eu ando muito vivo.
Já passei por ruas, tuunéis e bifurcações
Mas agora percebi que você não passa de um espaço aberto na multidão
Eu não vou mais lhe procurar, o meu caminho é um só e eu preciso seguir
Atento, em frente, distante de tudo que possa me levar ao mal.
Eu vou seguindo além dos arranhões
Colocando sal nas feridas e esperando o tempo que o tempo demora pra curar.

Com movimentos rápidos, eu posso desinventar
Mágicas para o seu olhos, mas distantes das suas mãos.
Mágica para os seus olhos, eu posso até iventar.

Mas você vai sumindo
Desaparecendo como foto velha
perdendo a cor.
Se olhe no espelho meu amigo,
Ainda há muito tempo pra você brilhar.


(China e Bruno Ximarú)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Condicional

Quis nunca te perder
Tanto que demais
Via em tudo céu
Fiz de tudo um cais
Dei-te pra ancorar
Doces deletérios

E quis ter os pés no chão
Tanto eu abri mão
Que hoje eu descobri
Sonho não se dá
É botão de flor
O sabor de fel é de cortar

Eu sei é um doce te amar
O amargo é quere-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu, muito bem

Quis nunca te ganhar tanto forjei
Asas nos teus pés
Ondas pra levar
Deixo desvendar todos os mistérios

Sei tanto te soltei
Que você me quis
Em todo lugar
Lia em cada olhar
Quanta intenção
Eu vivia preso

Eu sei é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu
O que eu queria, o que eu fazia, o que mais?
E alguma coisa a gente tem que amar
Mas o que não sei mais

Os dias que eu me vejo
Só são dias que eu me encontro mais
E mesmo assim eu sei tão bem
Que existe alguém pra me libertar


(Rodrigo Amarante)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Hollywood

Ói nós aqui, Ói nós aqui,

Hollywood fica ali bem perto,
só não vê quem tem um olho aberto


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
Hollywood é um sonho de cenário,
Vi um pau-de-arara milionário

E eu que nem sonhava conhecer o tal Recife,

Pobre saltimbanco trapalhão.
Hoje sou mocinho, sou vizinho do xerife,
dou rabo-de-arraia em tubarão

Ói nós aqui, Ói nós aqui,
Tem de tudo nessa Hollywood,
Vi um índio cheio de saúde

Ói nós aqui, Ói nós aqui,

How do you do?
Caruaru, I wanna see piripipi. Ói nós aqui


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
Camelôs, malucos e engraxates,
Aproveitem enquanto o sonho é grátis


Quem há de negar que é bom dançar, que a vida é bela,

neste fabuloso Xanadu.
Eu só tenho medo de amanhã cair da tela
e acordar na casa do Bubu


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
How do you do?
Banabuiú, I wanna buy o Paraguai.
Hollywood and me
Ói nós aqui (vixe!)


(Chico Buarque, Bardotti, Enriquez)


terça-feira, 23 de março de 2010

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato

O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte


(João Cabral de Melo Neto)
Criação: Bruna Furtado

Algumas de minhas peças, é uma criação fantasma
criada para compor meu portifolio.

Retrato pra Iaiá

Iaiá, se eu peco é na vontade
de ter um amor de verdade
Pois é que assim em ti eu me atirei
e fui te encontrar
pra ver que eu me enganei...


Depois de ter vivido o óbvio utópico,
te beijar, e de ter brincado sobre a sinceridade
e dizer quase tudo quanto fosse natural...
Eu fui pra aí te ver, te dizer:


Deixa ser, como será!
Quando a gente se encontrar
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar...
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar...


De perto eu não quis ver
que toda a anunciação era vã
Fui saber tão longe,
mesmo você viu antes de mim
que eu te olhando via uma outra mulher
E agora o que sobrou?
- Um filme no close pro fim


Num retrato-falado eu fichado,
exposto em diagnóstico
Especialistas analisam e sentenciam: oh não!


Deixa ser como será!

Tudo posto em seu lugar
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser, como será!
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê!


(Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante)




sábado, 20 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Cuida De Mim

Pra falar verdade, às vezes minto

Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer às vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
"Tanto faz" não satisfaz o que preciso
Além do mais quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou
Você pra mim mostrou
Que eu não sou sozinha nesse mundo.


Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo ser quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo... Enquanto fujo...


Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás se voltar atrás assim como eu.

Busquei quem sou
Você pra mim mostrou
Que eu não estou sozinho nesse mundo.


Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo... Enquanto fujo...



Fernando Anitelli





quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um Dia Lindo De Morrer

Um dia lindo de morrer

O dia mistura as cores que voltam pro mesmo lugar,
a incerteza me acompanha onde eu tenha que passar
eu sou o cativeiro do meu pensamento, mas tiro os pés
do chão para poder sonhar,
se eu sou o cativeiro do meu pensamento por que
tiro os pés do chão para poder sonhar,

Seu beijo sumiu do meu rosto, meu sangue subiu a cabeça,
queria olhar pra você, mas sem ter que olhar para trás
meu sorriso não é tão largo, estou feliz mas às vezes choro
jogo meu corpo no espaço, ahh hoje faz...



Hoje faz Um dia lindo de morrer...


China

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Deus Lhe Pague

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir

A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir

Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair

Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi

Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Por mais um dia de, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Pela mulher carpinteira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir


Deus lhe pague

Chico Buarque

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Altar Particular

Meu bem, que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
Do teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje, sinto que
o tempo da cura tornou a tristeza normal

Então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir

Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver como se deve ser

Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo, faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor

Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta

Maria Gadú